É curioso perceber como a nossa percepção sobre uma tecnologia depende muito do momento em que entramos na carreira.
Grande parte da minha trajetória em TI foi trabalhando com criação e manutenção de sistemas legados. Enquanto muita gente já desenvolvia aplicações com ASP.NET MVC, eu ainda estava trabalhando com Windows Forms em VB.NET, uma tecnologia que marcou uma geração inteira de desenvolvedores. Depois migrei para o ASP.NET MVC clássico, justamente quando o mercado começava a falar cada vez mais sobre o então "novo" ASP.NET Core.
E, ironicamente, permaneci por vários anos desenvolvendo em ASP.NET MVC. Inclusive, até hoje ainda faço manutenções e evoluções em alguns desses sistemas legados da empresa.
Só recentemente passei a trabalhar com as stacks mais atuais da Microsoft: ASP.NET Core, .NET e C# em suas últimas versões, explorando recursos como records, Minimal APIs, Blazor e, claro, utilizando Inteligência Artificial (Spec-Driven Development) como aliada no desenvolvimento de software.
Sempre fui o tipo de profissional que, quando decide estudar uma tecnologia, gosta de ir além da documentação. Gosto de entender por que ela surgiu, quais problemas resolveu e qual foi o contexto histórico que levou àquelas decisões de arquitetura.
"Publica no IIS"
Durante muito tempo na minha carreira, escutei esta frase: "Publica no IIS."
Ao longo de muitos anos, no ASP.NET Framework, o IIS (Internet Information Services) era a peça central da hospedagem das aplicações. Mas, com o lançamento do ASP.NET Core, em 2016, essa arquitetura mudou completamente com a chegada do Kestrel, um servidor web moderno, multiplataforma e extremamente otimizado.
Uma sigla, um propósito
O mais interessante é perceber que, justamente neste ano, o Kestrel completa 10 anos.
Uma curiosidade que descobri durante esse estudo é a origem desse nome. Kestrel é o nome em inglês de um pequeno falcão, conhecido por sua velocidade, agilidade e precisão. Achei interessante perceber que até o nome escolhido transmite exatamente a proposta do projeto: um servidor web leve, rápido e altamente performático.
Hoje, quem efetivamente executa uma aplicação ASP.NET Core é o Kestrel. Quando utilizamos o IIS, ele normalmente atua como um proxy reverso, encaminhando as requisições para o servidor da aplicação.
Essa foi mais uma lembrança de que estudar uma tecnologia vai muito além de aprender sua sintaxe ou seus recursos. Quando entendemos o contexto histórico e os problemas que ela veio resolver, passamos a enxergar a arquitetura com outros olhos.
"Antes de perguntar 'como funciona?', tente descobrir 'por que isso foi criado?'. Muitas vezes, é aí que está o aprendizado mais valioso."
Essa é uma prática que sempre procuro adotar nos meus estudos, e recomendo a qualquer desenvolvedor.
