Recriaram o Photoshop, o Premiere, o Excel e o Figma. De graça. Com IA.
Essa semana eu estava vendo uns vídeos aleatórios no YouTube e caí num em que o cara testava os apps do ArtCraft: programas gratuitos e open source, lançados no início de outubro de 2026, que "copiam" o Photoshop, Illustrator, Premiere, Lightroom e companhia, com uma interface que lembra muito a da Adobe. E não para na Adobe: já tem versão do Word, do Excel, do PowerPoint e até do Figma. Até agora são 13 apps no total (getartcraft.com/apps).
E o detalhe: boa parte do código foi escrita pelo time do ArtCraft com o Claude Opus 5.5, a IA da Anthropic.
E daí me pergunto: isso pode, na cara dura? (Pode isso, Arnaldo?)
De onde o código veio
Pois bem: o que separa cópia de concorrência legítima não é a linguagem do programa, nem o quanto ele se parece com o original. É de onde o código veio.
A Adobe usa basicamente C++ e o ArtCraft usou Rust, mas isso não muda nada. No Brasil, a Lei do Software (9.609/98) protege o programa como uma obra literária. E assim como traduzir um livro exige autorização do autor, reescrever um código em outra linguagem também exige.
Já fiz alguns registros de software no INPI, e lá a linguagem é só um dado de identificação. O que vale como prova é o hash do código-fonte.
Clean room
O ponto é que a lei protege o código, não a ideia. Ninguém é dono de "um editor de imagem com camadas". Por isso existe o clean room: uma equipe estuda o programa por fora e descreve o que ele faz, e outra, que nunca viu o código original, desenvolve do zero. Isso é o que o ArtCraft diz ter feito (é o que está blindando o projeto... talvez por enquanto).
Nem tudo está resolvido
Mas não tá tudo resolvido. Patentes protegem a invenção mesmo sem cópia, e a Adobe tem milhares. A interface quase idêntica também pode dar dor de cabeça. E tem uma pergunta nova:
Como provar um clean room quando quem escreveu o código foi uma IA?
